terça-feira, maio 23, 2006
sábado, maio 13, 2006

Vidro Duplo
Esperei.
Esperei.
Onde o vinho é servido em doces miragens e o horizonte, uma teia de vidro duplo.
Percorridos estão,
Os sopros indizíveis das palavras mentalmente articuladas,
Mutei-lhes o corpo
Vacilei-te a alma
Comunguei-me o sangue.
.
De que vale a densidade de ser uno
De que vale a densidade de ser uno
Em grão de pó de Universo condensado...?
.
Murmúrios de reflexos em palavras de vidro duplo.
Sustentam-me os silencios inócuos, nas madrugadas de distância em que te recordarei.
domingo, abril 02, 2006
Paulo césar, 06 Esquizofrenia
Vozes, que brotam de mim.
Dispersam-se esquivas
Fugindo do eco dos meus sonhos.
São lamentos incertos
De todos e de ninguém,
Que me reclamam doridos
Feridos de desdém.
Acendo um cigarro, e com ele,
Vislumbro formas imperfeitas
Que me surgem vis, vagarosas
Moldando-se em mim, tornando-se eu!
Gritos de fumo que acodem em pedaços,
O sonho de uma realidade despedaçada.
Vozes.
Ouço-as à distância de um pensamento.
Sinto-as mais perto de mim.
99
sábado, abril 01, 2006
quarta-feira, março 22, 2006

O estrangeiro
Sabem-me a cinza,
0s pensamentos que acendo respiradamente.
Quebro os gestos,
que a inércia induz repentina.
E na cadência dos voos abreviados,
no sentido das sílabas castradas,
na catarse de uma loucura perene,
Sou imerso na projecção do caminho que me impeço,
Sou regresso em mim para qualquer lugar.
Sabem-me a cinza,
0s pensamentos que acendo respiradamente.
Quebro os gestos,
que a inércia induz repentina.
E na cadência dos voos abreviados,
no sentido das sílabas castradas,
na catarse de uma loucura perene,
Sou imerso na projecção do caminho que me impeço,
Sou regresso em mim para qualquer lugar.
segunda-feira, março 20, 2006

O principio de um novo fim
Em subtilezas me ocorres ó ímpeto difuso,
Nas madrugadas que jazem desterradas,
Nos vultos opacos e disformes
Que se esvaem na algazarra dos anos lassos.
E entre sopros vertidos aleatoriamente,
Na erosão que te sulca o rosto baço,
Esculpem-se sombras do teu cansaço
Cumpre-se o sangue que percorro em mim
Pele de cetim,
Que visto como um disfarce de criança.
O vento sabe-me a acre,
Mas trouxe o orvalho das palavras.
E a objectividade de acordar no vazio, é uma pintura que acabo com o olhar.
segunda-feira, março 13, 2006

O Sal de nós
Exala-me em fogo-fátuo de lânguidos bocejos,
No marulhar de um canto de indizíveis apelos,
Em delírios de náufragos e convulsões residuais
No fluir de uma fogueira de insónias verticais.
Inventa-me em relevos, com palavras de saliva
Serão teus os meus segredos
Esfacelados em surdina,
Numa despedida dormente, envolta em músculos lassos,
Absinto em corpo ausente,
Delírios,
Abraços.
Exala-me em fogo-fátuo de lânguidos bocejos,
No marulhar de um canto de indizíveis apelos,
Em delírios de náufragos e convulsões residuais
No fluir de uma fogueira de insónias verticais.
Inventa-me em relevos, com palavras de saliva
Serão teus os meus segredos
Esfacelados em surdina,
Numa despedida dormente, envolta em músculos lassos,
Absinto em corpo ausente,
Delírios,
Abraços.
sexta-feira, março 10, 2006

A vigília
Encontro-te.
Na luminosidade fugídia.
Onde escassos rasgos de luz
Incolor e artificial,
Anunciam a hora tardia.
Encontro-te.
Perpetuada nos meus sentidos.
Estranhamente me acordas,
Na Hora dos adormecidos.
Remetes-me ao silêncio
De uma solidão anunciada.
Contigo, em tudo participo,
Mas é na ilusão que se desfaz
Que me dissipo,
E sou aquém da realidade atordoada.
Encontras-me.
Onde nada compreendes.
Sou mil murmúrios alados
Que se dispersam esquivos e irados
A esbaterem-se felizes nas paredes.
Rasgam o silêncio, subitamente
Roubando o sono que vós não tendes.
sábado, fevereiro 25, 2006
sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A certeza do acaso
A minha verdade é o pulsar de um pequeno nada,
Um esquecimento, um favor que julguei perdido.
A marcha impassível e eterna do mundo,
Que se me entranha nas crenças que não tenho
E nas ânsias que repudio.
A minha verdade é acordar em sonhos alheios,
E banhar-me na espuma de um céu escarlate.
É despertar com o cheiro a maresia,
Dos oceanos em que me afogarei um dia,
É a urgência de encontrar-te.
A minha verdade?
Não procura certezas, alimenta subtilezas,
Na equação das histórias incompreendidas.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Ser aqui
Ó luz filtrada pela lua,
Neste papel ocre por ti iluminado
Escrevo o sonho que é ver-te assim,
Perfeita,
Em tudo o que tinges de branco frio fantasmagórico.
Neste papel,
Passei os dedos suavemente,
Para que de mim
Pudesses reter o que sinto;
O meu coração a bater em tudo, pulsa em todas as coisas!
Estou aqui.
Sou aqui.
Alma em tudo o que alcanço,
Luz em sombra, por tudo o que vejo.
Sou aqui, sempre.
Onde o horizonte me é palpável aos sentidos,
E dança,
Na distancia imediata entre o meu pensamento.
00

Incapacidade
Sento-me.
Quero pensar,
Mas vagueio na inércia do meu pensamento.
O que flúi, é a incapacidade de ser eu, aqui.
Por isso, vou para onde me sinto.
Onde?
È para onde vou.
Vou…., com a incapacidade de ser o que sinto.
Vim aqui ao pé do mar,
Para pensar, e escrever,
Mas vou embora com a incapacidade
De sentir o que escrevi.
00

O Cais
Ao largo desta estrada, com o rio como beiral
Sou cúmplice das gaivotas de uma vida marginal.
Afago-me nos reflexos que o sol derrama no rio,
E sou mais que os complexos que me inventam aturdido.
Não sei porque estou assim
Nem sei se a vida é fado…
Cruzo a ponte que une as margens do meu ser
E conto os passos que me devolvem à ignorância.
De que vale percorrer o trilho ao amanhecer
Se me perco em mil mágoas de distância ?
jim
quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Um dia de chuva
Olho.
Com vazio no olhar,
Os destinos que se cruzam, repetidamente
Sem se tocar.
Apenas distingo a indiferença
De olhar o percurso banal do que se move,
Que fluí eternamente
Nos ruídos impacientes
Dos suspiros de quem morre.
Escrevo-os na lama. Remexo em sonho e caos, e
Nas poças barrentas que me reflectem
Ocre e sujo,
Piso os buracos negros do
Esquecimento que virá.
Pisando dejectos do caminho de quem os deixou,
Tenho nos pés a vontade dos que passaram.
Quero viver num momento
Toda uma vida…
E partir no reflexo que a água
Sórdida me devolveu.
Aurora
Entre as sombras, o espaço, irremediavelmente pequeno.
Vultos cinzentos e espasmos prolongados.
Olhares de sangue que no limbo se dissipam, por ser tarde demais.
Procurámos no tempo, inexistente, visões distintas do inatingível e
percorremos O interminável muro branco com a nudez do vento incandescente…
sons mudos,
no vácuo que só nós conhecemos.
No crepúsculo, os sentidos apuram o cheiro a terra molhada.
Banho-me em madrugadas de volúpia.
Entre as sombras, o espaço, irremediavelmente pequeno.
Vultos cinzentos e espasmos prolongados.
Olhares de sangue que no limbo se dissipam, por ser tarde demais.
Procurámos no tempo, inexistente, visões distintas do inatingível e
percorremos O interminável muro branco com a nudez do vento incandescente…
sons mudos,
no vácuo que só nós conhecemos.
No crepúsculo, os sentidos apuram o cheiro a terra molhada.
Banho-me em madrugadas de volúpia.
O covil
Sentado no cadeirão preto,
Contemplo o vazio.
Assaltado por ideias de nada,
Escrevo fragmentos dispersos
Nos vidros que parti.
Tinjo essas palavras de vermelho vivo e sorvo os silêncios demoradamente.
Os sentidos são gumes afiados,
Cortam em sangue e lavram em fúria;
Impressões ocas, frias e sem textura.
Do fumo ondulante que aos meus olhos se atiça,
Eu só queria ver o brilho por entre a cinza.
Contemplo o vazio.
Assaltado por ideias de nada,
Escrevo fragmentos dispersos
Nos vidros que parti.
Tinjo essas palavras de vermelho vivo e sorvo os silêncios demoradamente.
Os sentidos são gumes afiados,
Cortam em sangue e lavram em fúria;
Impressões ocas, frias e sem textura.
Do fumo ondulante que aos meus olhos se atiça,
Eu só queria ver o brilho por entre a cinza.
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