
A vigília
Encontro-te.
Na luminosidade fugídia.
Onde escassos rasgos de luz
Incolor e artificial,
Anunciam a hora tardia.
Encontro-te.
Perpetuada nos meus sentidos.
Estranhamente me acordas,
Na Hora dos adormecidos.
Remetes-me ao silêncio
De uma solidão anunciada.
Contigo, em tudo participo,
Mas é na ilusão que se desfaz
Que me dissipo,
E sou aquém da realidade atordoada.
Encontras-me.
Onde nada compreendes.
Sou mil murmúrios alados
Que se dispersam esquivos e irados
A esbaterem-se felizes nas paredes.
Rasgam o silêncio, subitamente
Roubando o sono que vós não tendes.

1 comentário:
Deste lembro-me muito bem!
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