Branco.
Como o silencio das palavras de todas as cores.
O meu comboio de fumo desliza por fátuos oceanos,
E submerge em apeadeiros de papel.
sábado, fevereiro 25, 2006
sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A certeza do acaso
A minha verdade é o pulsar de um pequeno nada,
Um esquecimento, um favor que julguei perdido.
A marcha impassível e eterna do mundo,
Que se me entranha nas crenças que não tenho
E nas ânsias que repudio.
A minha verdade é acordar em sonhos alheios,
E banhar-me na espuma de um céu escarlate.
É despertar com o cheiro a maresia,
Dos oceanos em que me afogarei um dia,
É a urgência de encontrar-te.
A minha verdade?
Não procura certezas, alimenta subtilezas,
Na equação das histórias incompreendidas.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Ser aqui
Ó luz filtrada pela lua,
Neste papel ocre por ti iluminado
Escrevo o sonho que é ver-te assim,
Perfeita,
Em tudo o que tinges de branco frio fantasmagórico.
Neste papel,
Passei os dedos suavemente,
Para que de mim
Pudesses reter o que sinto;
O meu coração a bater em tudo, pulsa em todas as coisas!
Estou aqui.
Sou aqui.
Alma em tudo o que alcanço,
Luz em sombra, por tudo o que vejo.
Sou aqui, sempre.
Onde o horizonte me é palpável aos sentidos,
E dança,
Na distancia imediata entre o meu pensamento.
00

Incapacidade
Sento-me.
Quero pensar,
Mas vagueio na inércia do meu pensamento.
O que flúi, é a incapacidade de ser eu, aqui.
Por isso, vou para onde me sinto.
Onde?
È para onde vou.
Vou…., com a incapacidade de ser o que sinto.
Vim aqui ao pé do mar,
Para pensar, e escrever,
Mas vou embora com a incapacidade
De sentir o que escrevi.
00

O Cais
Ao largo desta estrada, com o rio como beiral
Sou cúmplice das gaivotas de uma vida marginal.
Afago-me nos reflexos que o sol derrama no rio,
E sou mais que os complexos que me inventam aturdido.
Não sei porque estou assim
Nem sei se a vida é fado…
Cruzo a ponte que une as margens do meu ser
E conto os passos que me devolvem à ignorância.
De que vale percorrer o trilho ao amanhecer
Se me perco em mil mágoas de distância ?
jim
quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Um dia de chuva
Olho.
Com vazio no olhar,
Os destinos que se cruzam, repetidamente
Sem se tocar.
Apenas distingo a indiferença
De olhar o percurso banal do que se move,
Que fluí eternamente
Nos ruídos impacientes
Dos suspiros de quem morre.
Escrevo-os na lama. Remexo em sonho e caos, e
Nas poças barrentas que me reflectem
Ocre e sujo,
Piso os buracos negros do
Esquecimento que virá.
Pisando dejectos do caminho de quem os deixou,
Tenho nos pés a vontade dos que passaram.
Quero viver num momento
Toda uma vida…
E partir no reflexo que a água
Sórdida me devolveu.
Aurora
Entre as sombras, o espaço, irremediavelmente pequeno.
Vultos cinzentos e espasmos prolongados.
Olhares de sangue que no limbo se dissipam, por ser tarde demais.
Procurámos no tempo, inexistente, visões distintas do inatingível e
percorremos O interminável muro branco com a nudez do vento incandescente…
sons mudos,
no vácuo que só nós conhecemos.
No crepúsculo, os sentidos apuram o cheiro a terra molhada.
Banho-me em madrugadas de volúpia.
Entre as sombras, o espaço, irremediavelmente pequeno.
Vultos cinzentos e espasmos prolongados.
Olhares de sangue que no limbo se dissipam, por ser tarde demais.
Procurámos no tempo, inexistente, visões distintas do inatingível e
percorremos O interminável muro branco com a nudez do vento incandescente…
sons mudos,
no vácuo que só nós conhecemos.
No crepúsculo, os sentidos apuram o cheiro a terra molhada.
Banho-me em madrugadas de volúpia.
O covil
Sentado no cadeirão preto,
Contemplo o vazio.
Assaltado por ideias de nada,
Escrevo fragmentos dispersos
Nos vidros que parti.
Tinjo essas palavras de vermelho vivo e sorvo os silêncios demoradamente.
Os sentidos são gumes afiados,
Cortam em sangue e lavram em fúria;
Impressões ocas, frias e sem textura.
Do fumo ondulante que aos meus olhos se atiça,
Eu só queria ver o brilho por entre a cinza.
Contemplo o vazio.
Assaltado por ideias de nada,
Escrevo fragmentos dispersos
Nos vidros que parti.
Tinjo essas palavras de vermelho vivo e sorvo os silêncios demoradamente.
Os sentidos são gumes afiados,
Cortam em sangue e lavram em fúria;
Impressões ocas, frias e sem textura.
Do fumo ondulante que aos meus olhos se atiça,
Eu só queria ver o brilho por entre a cinza.
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