quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O covil

Sentado no cadeirão preto,
Contemplo o vazio.
Assaltado por ideias de nada,
Escrevo fragmentos dispersos
Nos vidros que parti.
Tinjo essas palavras de vermelho vivo e sorvo os silêncios demoradamente.

Os sentidos são gumes afiados,
Cortam em sangue e lavram em fúria;
Impressões ocas, frias e sem textura.

Do fumo ondulante que aos meus olhos se atiça,
Eu só queria ver o brilho por entre a cinza.

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