quarta-feira, março 22, 2006


O estrangeiro


Sabem-me a cinza,
0s pensamentos que acendo respiradamente.
Quebro os gestos,
que a inércia induz repentina.


E na cadência dos voos abreviados,
no sentido das sílabas castradas,
na catarse de uma loucura perene,


Sou imerso na projecção do caminho que me impeço,
Sou regresso em mim para qualquer lugar.


segunda-feira, março 20, 2006



O principio de um novo fim

Em subtilezas me ocorres ó ímpeto difuso,
Nas madrugadas que jazem desterradas,
Nos vultos opacos e disformes
Que se esvaem na algazarra dos anos lassos.


E entre sopros vertidos aleatoriamente,
Na erosão que te sulca o rosto baço,
Esculpem-se sombras do teu cansaço
Cumpre-se o sangue que percorro em mim
Pele de cetim,
Que visto como um disfarce de criança.

O vento sabe-me a acre,
Mas trouxe o orvalho das palavras.

E a objectividade de acordar no vazio, é uma pintura que acabo com o olhar.

quinta-feira, março 16, 2006



Salto de fé

Colidi na sombra de ser quem sou,
Lateja-me um Êxtase displicente,
Que draga as intempéries
Num mar de cinza,
E se esvai por um deus aparente.
Esventrei-o em fornalhas de estupro,
Em arquétipos e átomos de instantes
Alimentando em sopros o gatilho
Que capitula por versos sibilantes.


segunda-feira, março 13, 2006



O Sal de nós


Exala-me em fogo-fátuo de lânguidos bocejos,
No marulhar de um canto de indizíveis apelos,
Em delírios de náufragos e convulsões residuais
No fluir de uma fogueira de insónias verticais.

Inventa-me em relevos, com palavras de saliva
Serão teus os meus segredos
Esfacelados em surdina,
Numa despedida dormente, envolta em músculos lassos,
Absinto em corpo ausente,
Delírios,
Abraços.


sexta-feira, março 10, 2006




A vigília


Encontro-te.
Na luminosidade fugídia.
Onde escassos rasgos de luz
Incolor e artificial,
Anunciam a hora tardia.

Encontro-te.
Perpetuada nos meus sentidos.
Estranhamente me acordas,
Na Hora dos adormecidos.

Remetes-me ao silêncio
De uma solidão anunciada.
Contigo, em tudo participo,
Mas é na ilusão que se desfaz
Que me dissipo,
E sou aquém da realidade atordoada.

Encontras-me.
Onde nada compreendes.
Sou mil murmúrios alados
Que se dispersam esquivos e irados
A esbaterem-se felizes nas paredes.

Rasgam o silêncio, subitamente
Roubando o sono que vós não tendes.

sexta-feira, março 03, 2006



Um ápice vicioso


Já não sou eu.
Onde estava, esqueci-me,
Num qualquer momento
Desta vida intemporalmente súbita.
O tempo atrasou-se.
Eu fui embora.
E só sei que ele passa quando olho para trás e vejo
No percurso que não deixei,
O tempo, que nunca quis ser percorrido.