quarta-feira, outubro 24, 2007


São leves as horas
que nos inventam em surdina,
pela calada das palavras
em que te escalo com o olhar
Imerso
De te ver adormecida,
Exangue
Do teu peito naufragar



6 comentários:

cris disse...

ignoramos as horas,
ainda que leves...
calam-se as palavras,
emergem,
para que sejam só
dois corpos imersos
num sono único...

sou mar,
sinto-me mar,
e espero que naufragues...
abro-te os olhos,
descubro pérolas
que atiro fora...
é a ti que quero!
simulo que adormeço,
para que me olhes,
antes de te envolver

transforma-te em ondas,
vê como finjo que descanso,
mas só espero que naufragues
e que em mim te afundes...

ignoramos as horas,
ainda que leves,
para sermos os dois,
afastados de todas as palavras

talvez que elas nos inventem,
à superfície...
mas aqui, sou eu, tu,
e,
a volúpia de nos termos.

Noktivaguz disse...

É um privilégio ler-te...que belo poema..!
É difícil comentar uma escrita tão avassaladora...
Espero prosseguir este "brainstorming" poético, qd me sentir com capacidade para tal...

fica bem...

Gi disse...

Bonitas as palavras e as imagens que escorrem por aqui. Vim etribuír a visita, a porta estava aberta e fui lendo e vendo e ficando ...

O tempo tem sido escasso nestes últimos dias e o ritmo teve que abrandar. Desculpa o atraso.

Um beijinho, noite feliz

Gi disse...

Vim deixar mais um olá e ler mais um pouco. Um beijinho

cris disse...

pesa-me a falta,
pesam-me as horas,
todos os minutos.

num relógio velho
cabe um tempo
que não se quer guardado,
que se quer que ande,
célere!
pudesse eu abrir aquela caixa,
pudesse eu cortar o fio
que prende um pêndulo
que pesa,
tanto, tanto,
tão mais do que as horas
que sou incapaz de segurar
confesso,
[fosse a gula o meu pecado...]

Noktivaguz disse...

Vem,

Percorre os meus caminhos
Ocultos

E Aprisiona o tempo que medeia
A parábola do esquecimento

em surdina